Top 5 medos quando criança: #3 Bomba atômica

#3 Bomba atômica. Talvez seja porque na infância peguei parte da Guerra Fria, mas o medo de ser atingido por uma bomba atômica me perseguiu por alguns anos. E era um temor duplo, pois havia duas formas de morrer por causa de uma bomba atômica. A primeira era mais direta e relativamente indolor. Refiro-me a estar no epicentro da explosão. É tudo tão forte e rápido que você nem sente que morreu. Tipo, você está comprando uma coxinha na cantina do colégio e do nada tudo (inclusive você e seus parentes mais próximos) desaparece. Embora rápido como um apagar de luz, morrer assim deve ser incrivelmente traumatizante caso exista vida após a morte. Nesse caso, torçamos que não! Já o segundo modo de morrer com uma bomba atômica se dá indiretamente, por meio da radiação que pairaria nos arredores do ataque por muitos anos. Provavelmente você morreria com algum câncer estranho (tipo no baço) e contaminaria seus genes, que seriam repassados para as próximas gerações. Se já é meio chato morrer, imagine então morrer e ser o causador da morte dos seus três filhos, nove netos e vinte e sete bisnetos? Tudo bem que o próprio ato de ter filho é, de certo modo, matá-lo. Afinal, nascer nada mais é que entrar na fila do cemitério. E às vezes a fila está enorme e ainda fazemos a besteira de tentar furá-la. Por isso evito bungee jumps, mas isso já é outro post.

Bomba H
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